Indústria automotiva vai investir R$ 360 bilhões em IA até 2035, mas bolha ameaça montadoras ocidentais
Projeções da PwC apontam crescimento anual de até 22% nos aportes em inteligência artificial, enquanto chips de memória podem encarecer até 450%.
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O setor automotivo global está em uma corrida sem volta rumo à inteligência artificial. Segundo projeções da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), citadas pelo AutoInforme, as montadoras desembolsarão cerca de US$ 30 bilhões só neste ano em IA — e esse valor deve dobrar mais de duas vezes até 2035, chegando a US$ 70 bilhões, com crescimento anual entre 15% e 22%. Para se ter ideia da escala, o AutoInforme destaca que essa cifra equivale a quatro vezes a capitalização de mercado atual da Stellantis e todas as suas marcas somadas.
O problema, aponta o AutoInforme, é que a euforia pode estar gerando uma bolha perigosa. A consultoria Gartner estima que apenas 5% das montadoras tradicionais atingirão as metas ambiciosas que estabeleceram nos últimos anos. O vice-presidente de pesquisas da Gartner, Pedro Pacheco, alerta, segundo a publicação, que "sem bases de software sólidas e um foco de longo prazo na IA, não há como alcançar um valor disruptivo". Enquanto isso, as fabricantes chinesas já aplicam a tecnologia de forma prática — na redução de etapas de diagnose, na aceleração dos ciclos de desenvolvimento e no corte de custos de engenharia —, ao passo que europeus e norte-americanos ainda tratam o tema como aposta financeira especulativa.
O AutoInforme também chama atenção para um risco concreto no horizonte: o boom dos data centers deve inflar os preços dos chips de memória DRAM entre 100% e 450%. Para uma grande montadora ocidental que investe US$ 2 bilhões anuais em transformação digital, um estouro prematuro da bolha poderia gerar perdas de até US$ 600 milhões apenas em cancelamentos de contratos, licenciamentos e projetos abortados. Tesla e Volkswagen, que seguem investindo pesado — US$ 6 bilhões e US$ 1,1 bilhão, respectivamente —, também estão expostas a esse risco, conforme aponta o veículo.
Ainda assim, recuar não é opção. Como resume o AutoInforme, as montadoras tradicionais estão "acorrentadas" em uma posição desconfortável: temem os custos crescentes, mas não podem abandonar a corrida sem perder competitividade para os rivais asiáticos. Pacheco prevê que, nos próximos três a cinco anos, os líderes em IA se distanciarão definitivamente dos retardatários — e a janela para recuperar terreno está se fechando.
Fontes
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