Indústria nacional perde espaço para importados enquanto mercado cresce
Montadoras associadas à Anfavea produziram apenas 47 mil dos 148 mil veículos adicionais vendidos no Brasil entre janeiro e agosto.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado automotivo brasileiro cresceu, mas a indústria instalada no país ficou para trás. Segundo a Auto+, Igor Calvet, presidente da Anfavea, revelou que de janeiro a agosto as vendas subiram 18,4%, enquanto a produção nacional avançou apenas 8,5%. A conclusão é direta: das 148 mil unidades adicionais comercializadas no período, somente 47 mil saíram de fábricas brasileiras. Os outros 101 mil veículos vieram prontos ou semimontados — a maioria da China, seja em formato SKD (parcialmente desmontado) ou CKD (totalmente desmontado) —, sem agregar conteúdo local relevante.
A Auto+ aponta que os importados de automóveis e comerciais leves avançaram 30,3% no período, contra 17,2% dos nacionais. No recorte mais simbólico, três dos dez modelos mais vendidos em agosto já eram de origem chinesa — um importado diretamente e dois montados aqui com índice mínimo de peças brasileiras, como pneus e vidros. Calvet não arriscou projeções sobre até onde as marcas chinesas podem avançar, mas o cenário já preocupa o setor.
Um alerta regulatório também entra na equação: conforme a Auto+, a partir de janeiro de 2026 todos os elétricos importados — inclusive os que chegam em formato CKD e SKD — passarão a pagar os 35% de imposto de importação vigentes desde os anos 1990. Ainda assim, há um estoque relevante de modelos BYD que entraram isentos e seguirão sendo vendidos por algum tempo sem essa tributação adicional.
No campo analítico, a Auto+ destaca o trabalho do consultor Milad Kalume Neto, fundador da K.LUME Consultoria, que traça três cenários para o período de 2026 a 2032. O mais imediato já está em curso: ganho acelerado de participação das marcas chinesas no Brasil. Kalume chama atenção para um ponto que vai além das vendas — o carro chinês vendeu bem, mas agora precisa envelhecer bem, provando durabilidade e suporte pós-venda ao longo do tempo. O consultor também alerta para a guerra de preços na China, resultado do excesso de capacidade instalada, que pressiona as marcas a exportar a qualquer custo e impacta diretamente as operações já estabelecidas aqui.
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