Itália muda de lado e pede à UE tarifa de 80% sobre carros e peças chinesas
País que historicamente abriu as portas às montadoras da China agora lidera pressão protecionista dentro do bloco europeu.
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A Itália virou o jogo. O país que durante anos foi considerado um dos mercados europeus mais receptivos às montadoras chinesas agora encabeça um movimento protecionista dentro da União Europeia. Segundo o Notícias Automotivas, o governo italiano passou a defender a aplicação de uma tarifa de 80% sobre veículos e peças provenientes da China sempre que esses produtos ultrapassarem a marca de 8% das vendas totais no bloco.
A reviravolta chama atenção justamente pelo histórico do país. O Notícias Automotivas aponta que a Itália chegou a ser uma das principais portas de entrada para marcas chinesas no continente, com negociações e acordos que sinalizavam abertura comercial. A mudança de postura reflete, em grande medida, a pressão crescente da indústria automotiva europeia — em especial da Stellantis, grupo ítalo-franco-americano que controla Fiat, Alfa Romeo e Jeep — diante da competitividade de preço dos fabricantes asiáticos.
O pedido italiano se soma ao debate já em curso na União Europeia sobre sobretaxas aos elétricos chineses. Conforme o Notícias Automotivas, o bloco já havia implementado tarifas adicionais sobre veículos elétricos vindos da China em 2024, mas a proposta italiana vai além, incluindo peças e componentes e estabelecendo um gatilho percentual de mercado como critério de ativação. A medida, se aprovada, teria impacto direto sobre marcas como BYD, SAIC e Chery, que vêm expandindo presença na Europa.
O movimento da Itália evidencia uma tensão crescente entre a agenda de descarbonização europeia — que depende de veículos elétricos acessíveis — e a proteção da cadeia produtiva local. Barreiras tarifárias elevadas podem encarecer justamente os modelos que tornariam a transição energética viável para consumidores de menor renda, criando um dilema político de difícil solução para Bruxelas.
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