Marcas indianas e japonesas lideram rentabilidade global; ocidentais ficam no zero ou no prejuízo
Enquanto Toyota registra lucro bilionário e margens saudáveis, Stellantis acumula o maior rombo do setor e Volkswagen opera com apenas 1,8% de margem.
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A indústria automotiva global vive uma crise silenciosa de rentabilidade, e o retrato é mais feio do que os showrooms reluzentes sugerem. Segundo a AutoInforme, marcas indianas e japonesas lideram o ranking de margens de lucro entre as montadoras, com percentuais acima de 6%, enquanto fabricantes ocidentais de grande porte operam no limite do zero ou registram prejuízos expressivos.
A Toyota é o exemplo mais emblemático do lado positivo: a AutoInforme aponta que a montadora japonesa reportou lucro de 21,7 bilhões de euros no ano fiscal de 2025. No extremo oposto, a Stellantis acumulou um rombo de US$ 22,4 bilhões — o maior prejuízo de todo o setor no período. A Volkswagen, apesar de figurar entre as maiores receitas do mundo, operou com margem de apenas 1,8%, ocupando a 24ª posição entre os principais fabricantes globais, conforme destaca a AutoInforme. A BMW foi um pouco melhor, com margem de 5,8% e lucro de 7,3 bilhões de euros, empatada em valores absolutos com a rival alemã.
Para a vice-presidente de análise automotiva do banco Jefferies, Vanessa Jeffriess, citada pela AutoInforme, o problema estrutural é claro: bilhões são consumidos em ferramental, pesquisa e desenvolvimento, enquanto os volumes de produção são altos e as margens, historicamente comprimidas. O setor manufatureiro em geral opera entre 8% e 10% de margem — patamar que a maioria das montadoras não consegue nem enxergar de longe. Para ilustrar o tamanho do desafio, a AutoInforme lembra que a fabricante de chocolates Lindt tem capitalização de mercado 60% maior que a da Stellantis e margem de lucro de 12,2%.
O cenário tende a piorar antes de melhorar. Segundo Pedro Correa, líder de estratégia para as Américas da consultoria Bain & Company, ouvido pela AutoInforme, tarifas comerciais crescentes e instabilidade geopolítica seguem pressionando as cadeias de suprimentos. A Tesla, que faturou US$ 94,8 bilhões em 2024, viu sua margem líquida despencar de 12% para 4% — enquanto a Nvidia, no mesmo período, registrou margem de 55% com lucro de US$ 72,8 bilhões, reforçando que o dinheiro de verdade, hoje, está em outro setor.
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