Montadoras nacionais ficam para trás enquanto chinesas dominam o crescimento do mercado
Produção local cresceu apenas 8,5% ante alta de 18,4% nas vendas totais, e carros da China já ocupam três das dez posições mais vendidas do país.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado automotivo brasileiro cresce, mas a indústria instalada no país não está colhendo os frutos desse avanço. Segundo o Autos Segredos, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, alertou que, de janeiro a agosto deste ano, as vendas totais subiram 18,4%, enquanto a produção nacional avançou apenas 8,5%. Dos 148 mil veículos adicionais comercializados no período, somente 47 mil foram efetivamente fabricados no Brasil — os outros 101 mil vieram prontos ou semimontados, majoritariamente da China, sem agregar conteúdo local relevante.
O desequilíbrio fica ainda mais evidente nos números segmentados: conforme aponta o Autos Segredos, os importados de automóveis e comerciais leves cresceram 30,3% no período, contra 17,2% dos modelos de produção nacional. Três dos dez veículos mais vendidos em agosto já eram de origem chinesa — um importado diretamente e dois montados aqui com índice simbólico de peças brasileiras, como pneus e vidros. A partir de janeiro de 2025, elétricos importados, mesmo em formato CKD ou SKD, passarão a pagar os 35% de imposto de importação vigentes desde os anos 1990, embora ainda exista um estoque relevante de modelos BYD que entraram isentos.
No campo das eletrificadas, o Autos Segredos destaca que os percentuais de crescimento são enganosos pela base de comparação baixa: juntos, elétricos, híbridos e híbridos plugáveis somam menos de 20% das vendas no período. O flex ainda reina com 68,3% de participação, seguido pelo diesel com 9,2%. Elétricos puros respondem por apenas 7,6% — número que cresce rápido, mas parte de um patamar muito reduzido.
O consultor Milad Kalume Neto, fundador da K.LUME Consultoria e ex-Jato Dynamics, projeta três cenários para o setor entre 2026 e 2032, segundo o Autos Segredos: no primeiro, as 16 marcas chinesas presentes no Brasil — número que pode chegar a 18 ou 19 — continuam ganhando espaço de forma acelerada; no segundo, algumas se consolidam enquanto outras permanecem marginais ou abandonam o mercado; no terceiro, pode haver retração. Kalume alerta que vender bem é apenas o primeiro teste: o carro chinês agora precisa envelhecer bem, e a guerra de preços imposta pelo excesso de capacidade na China pressiona as marcas a exportar a qualquer custo — o que pode tanto acelerar a conquista do mercado brasileiro quanto criar vulnerabilidades estruturais no médio prazo.
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