Motos elétricas no Brasil: peso, autonomia e infraestrutura travam a transição
Enquanto carros elétricos ganham espaço, o mercado de duas rodas enfrenta obstáculos técnicos e urbanos que ainda não têm solução à vista.
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Segundo o Jornal do Carro (Estadão), a eletrificação que avança entre os automóveis não deve se repetir tão cedo no segmento de motocicletas no Brasil. Os dois maiores entraves são técnicos: o peso excessivo das baterias e a autonomia insuficiente para uso prático. O próprio campeonato MotoE ilustra esse limite — conforme aponta a publicação, as motos de competição elétrica chegaram a pesar 260 kg nas primeiras gerações, número incompatível com a leveza exigida pelo esporte, e a categoria acabou suspensa por tempo indeterminado.
Nas ruas brasileiras, o Jornal do Carro lembra que a experiência com startups do setor deixou marcas negativas. A Voltz Motors lançou a scooter EV1 em 2019 com grande expectativa, mas os problemas de sensibilidade à chuva, o colapso no pós-venda e os atrasos nas entregas levaram a empresa à recuperação judicial — episódio que, segundo a reportagem, tornou o consumidor desconfiante em relação a produtos elétricos de duas rodas. Quando uma montadora japonesa de peso entrou no jogo, o resultado também foi ambíguo: a Yamaha Neo's chegou às lojas por R$ 32.990, com velocidade máxima em torno de 40 km/h, o que, conforme o Jornal do Carro, torna o modelo inviável e até perigoso em avenidas de tráfego rápido, apesar de exigir emplacamento pela legislação vigente.
O contraste com a China é revelador. O Jornal do Carro relata que em Hangzhou, metrópole de 13 milhões de habitantes, o governo proibiu motos convencionais nos centros urbanos, forçando a população a adotar scooters elétricas de baixa potência — e o planejamento urbano respondeu com faixas exclusivas e largas para esses veículos. No Brasil, essa infraestrutura simplesmente não existe. Para distâncias curtas, soluções mais capazes já aparecem: a publicação menciona o teste da CF Moto AE8S+, que atinge 110 km/h com aceleração expressiva. Mas, para uso rodoviário e viagens longas, o peso das baterias e a falta de autonomia seguem sendo barreiras que nenhuma marca resolveu — e o consumidor brasileiro, acostumado à liberdade viária das motos a combustão, dificilmente aceitará menos do que isso.
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