Tata Nano: o carro mais barato do mundo que pegou fogo e sumiu do mercado
Prometido como revolução popular, o hatch indiano de US$ 2.500 não passou de 300 mil unidades vendidas em quase uma década e foi descontinuado em 2018.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
Quando a Tata Motors apresentou o Nano em março de 2009, a promessa era ambiciosa: um carro de US$ 2.500, acessível a milhões de indianos que nunca haviam tido condições de comprar um automóvel. Segundo a Quatro Rodas, a fabricante esperava vender 250.000 unidades por ano. O que aconteceu foi o oposto — em quase uma década de produção, o modelo acumulou menos de 300.000 emplacamentos totais na Índia, sendo aposentado antes de completar dez anos de existência.
A derrocada começou cedo. A Quatro Rodas aponta que cinco casos de incêndio nos primeiros meses de uso abalaram a confiança dos consumidores. O fogo teria se originado na região do escapamento e na parte elétrica, onde a Tata instalou o motor traseiro e posicionou a bateria sob o banco do motorista para reduzir custos com fiação. A marca atribuiu os incidentes à instalação irregular de acessórios, mas o estrago à reputação já estava feito: as vendas despencaram de 9.000 unidades em julho de 2010 para apenas 509 em novembro do mesmo ano, conforme relata a revista.
O preço, principal argumento de venda, também escorregou. Segundo a Quatro Rodas, pressões nos custos de produção elevaram o valor da versão básica de 100.000 para 108.000 rúpias, enquanto a topo de linha — com ar-condicionado, vidros elétricos e servofreio — chegava a 140.000 rúpias (cerca de US$ 3.500). A Tata tentou reagir ampliando a garantia de 18 meses para quatro anos e facilitando o crédito, mas o fôlego foi curto. Em junho de 2018, conforme dados citados pela Quatro Rodas com base na Auto Punditz, apenas três unidades foram emplacadas no país — contra 24.465 do líder Maruti Suzuki DZire no mesmo período.
O Nano chegou a ser cogitado para o mercado brasileiro, mas nunca passou da especulação. A Quatro Rodas realizou um teste exclusivo do modelo no Brasil em março de 2011, destacando soluções incomuns adotadas para baratear o carro — rodas de 12 polegadas com apenas três parafusos, freios a tambor nas quatro rodas, direção mecânica e ausência de retrovisor no lado do passageiro. O que deveria ser o "Fusca do século 21", nas palavras da própria publicação, acabou virando um estudo de caso sobre os limites de uma estratégia de preço que sacrificou confiabilidade e percepção de valor.
Fontes
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