Volkswagen planeja demitir 100 mil funcionários e fechar quatro fábricas na Alemanha
Reestruturação do grupo alemão seria uma das maiores da história da indústria automotiva mundial.
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A Volkswagen estuda um plano de reestruturação muito mais agressivo do que o anunciado anteriormente. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), citando reportagem do Financial Times, o grupo alemão pretende eliminar 100 mil postos de trabalho — o dobro dos 50 mil cortes que haviam sido divulgados inicialmente. Com 625 mil funcionários ao redor do mundo, a medida significaria demitir praticamente um em cada seis trabalhadores da empresa.
A dimensão do corte colocaria a Volkswagen no topo de um ranking pouco invejável. O Jornal do Carro lembra que a iniciativa superaria a demissão de 74 mil pessoas promovida pela GM nos anos 1990, quando a montadora americana fechou 21 fábricas nos EUA e no Canadá, e também o corte de mais de 60 mil funcionários da IBM em 1993. Além das demissões, o plano — revelado originalmente pela revista alemã Manager Magazin — prevê o fechamento de quatro unidades produtivas: as fábricas da VW em Emden, Zwickau e Hannover, mais a planta da Audi em Neckarsulm, todas em solo alemão.
A estratégia faz parte de um movimento liderado pelo CEO Oliver Blume para concentrar o grupo no negócio central de fabricação de automóveis, desfazendo-se de ativos periféricos. Segundo o Jornal do Carro, Blume justifica a radicalização do plano com um cenário externo hostil: tarifas impostas pelos Estados Unidos, instabilidade no Oriente Médio e, sobretudo, a pressão crescente das montadoras chinesas no mercado europeu. Dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea), citados pela mesma fonte, mostram que um em cada dez veículos novos vendidos na Europa nos primeiros cinco meses de 2026 já saiu de uma fábrica chinesa.
A Volkswagen preferiu não comentar os detalhes do plano ao Financial Times, afirmando que as decisões serão discutidas pelos órgãos de governança competentes. Conforme o Jornal do Carro aponta, a próxima reunião do conselho fiscal da empresa está marcada para 9 de julho, quando os detalhes devem ser formalizados. Vale lembrar que cortes anteriores anunciados pela montadora foram reduzidos após negociações com sindicatos — o que pode repetir-se desta vez.
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