Acostamento não é área segura: entenda os riscos e o que diz a lei
Parar no acostamento sem necessidade real é infração, mas o maior perigo é a falsa sensação de segurança que o local transmite.
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O acostamento das rodovias brasileiras é um dos pontos mais perigosos para pedestres e motoristas, justamente porque quem está ali costuma baixar a guarda. Segundo o Jornal do Carro, do Estadão, a lógica é simples e assustadora: em momentos de desespero no trânsito — uma freada brusca, um veículo que falha —, o acostamento é exatamente para onde todo mundo joga o carro. Quem está parado ali vira alvo.
A publicação lembra que parar no acostamento sem caracterizar uma emergência real é infração de trânsito, com multa de R$ 88,38 e três pontos na CNH. O problema, aponta o Jornal do Carro, é que o conceito de emergência é subjetivo demais para muitos motoristas: urinar à beira da pista, atender o celular ou trocar um pneu furado que ainda permitiria rodar até o próximo posto não se enquadram na categoria. Em outubro de 2024, um homem morreu atropelado por um caminhão no acostamento da Rodovia dos Bandeirantes depois de parar para esvaziar a bexiga — caso citado pela reportagem como exemplo do risco real dessa prática.
Quando a parada for inevitável, o Jornal do Carro recomenda medidas básicas que fazem diferença: usar colete refletivo antes de sair do veículo — obrigatório em vários países europeus e capaz de quadruplicar a distância em que o pedestre é visto —, aguardar o socorro dentro do próprio carro, que funciona como escudo, ou se posicionar o mais longe possível da pista, preferencialmente atrás de guard-rails ou muretas de proteção.
O texto também chama atenção para um cenário recorrente no calendário brasileiro: a peregrinação de romeiros pelo acostamento da Rodovia Presidente Dutra até Aparecida, em outubro. Segundo o Jornal do Carro, mesmo com campanhas anuais de conscientização, mortes acontecem todo ano — em 2025, dois romeiros foram atropelados por um motorista com sinais de embriaguez, e um adolescente de 15 anos foi atingido por um caminhão que usou o acostamento exatamente como previsto pela lei: para desviar de uma colisão à frente. É esse uso legítimo e imprevisível que torna o local tão letal para quem está parado ali.
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