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Agenda velha, memórias novas: os bastidores da imprensa automotiva brasileira dos anos 1980

Repórter veterano revira agenda telefônica antiga e resgata histórias inéditas dos assessores e executivos que moldaram a indústria automobilística no Brasil.

Atualizada em 8 de novembro de 2026 às 11:03· 11 leituras
Agenda velha, memórias novas: os bastidores da imprensa automotiva brasileira dos anos 1980

Uma agenda telefônica semidestruída virou portal do tempo. Segundo o AutoInforme, um jornalista veterano que cobriu o setor automotivo como repórter d'O Globo na Sucursal São Paulo encontrou o objeto entre seus pertences e passou a rememorar nomes e histórias que definiram a relação entre a imprensa e a indústria automobilística brasileira nas décadas de 1970 e 1980.

Entre os números anotados, o AutoInforme destaca figuras como Walter Nori, então diretor de comunicação da Volkswagen, e Wolfgang Sauer, presidente da montadora, conhecido por fumar charutos cubanos e por conseguir cochilar rapidamente durante os deslocamentos pela capital paulista. Na General Motors, o portal lembra de Romeu Netto, diretor de Relações Públicas, e de Joseph Sanches, presidente da empresa e torcedor assumido do Corinthians — que, segundo o relato, aparecia nas segundas-feiras com a camisa do clube por baixo da roupa branca após vitórias do time no domingo.

O AutoInforme também resgata o nome de Luis Carlos da Silva Secco, o 'Seccão', descrito como um dos melhores assessores de imprensa de todos os tempos no setor, além de Lindolfo Paulielo, diretor de Comunicação da Fiat, e Pedro Eberhardt, presidente da Arteb — empresa de capital 100% nacional fabricante de autopeças. As conversas com Eberhardt, conta o portal, aconteciam nos bares e restaurantes do Maksoud Plaza, então o hotel mais badalado de São Paulo.

A narrativa, publicada pelo AutoInforme, funciona como um retrato raro dos bastidores de uma época em que o acesso aos executivos era direto, as relações eram pessoais e os números de telefone tinham apenas seis algarismos. Um tempo em que ministros como Murilo Macedo, do Trabalho, atendiam jornalistas aos domingos na varanda do sítio e mandavam os repórteres colher frutas no pomar antes de voltar para a cidade.

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