Anfavea pede sobretaxação de importados chineses, mas quer isenção para suas próprias importações
Entidade das montadoras instaladas no Brasil propõe três medidas ao governo para frear a concorrência chinesa — com exceções que beneficiam justamente seus associados.
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Num movimento que mistura pressão política com protecionismo seletivo, a Anfavea levou ao vice-presidente Geraldo Alckmin, na última quinta-feira (29), três propostas para conter a avanço dos veículos chineses no mercado brasileiro. Segundo apuração do portal AutoData, Igor Calvet, presidente da entidade, foi acompanhado de treze vice-presidentes de montadoras associadas para apresentar as medidas — e todas elas incluem uma ressalva conveniente: as importações feitas pelas próprias montadoras com fábricas no País ficariam de fora das restrições.
A primeira proposta, conforme o AutoData detalhou, é a adoção de salvaguardas de defesa comercial que elevariam o imposto de importação, hoje fixado em 35%, especificamente para veículos vindos da China. Kits CKD e SKD — usados por associadas como Stellantis, General Motors e Renault Geely — também estariam isentos. A segunda alternativa seria a criação de uma Cide Automotiva, contribuição de intervenção no domínio econômico aplicada sobre o valor do veículo importado em paralelo à tarifa já existente, com possibilidade de extensão a autopeças. A terceira opção, mais complexa e dependente de negociação bilateral, prevê cotas máximas de importação da China equivalentes a 2,5% a 3% do mercado nacional — o que, segundo o AutoInforme, representaria entre 75 mil e 90 mil unidades por ano, volume bem abaixo do ritmo atual.
O paradoxo do pedido fica evidente quando se olha para os números do mercado. Como aponta o AutoInforme, foram justamente os preços competitivos dos chineses que derrubaram os valores médios e impulsionaram o setor a uma expansão de cerca de 16% em 2026 — três vezes acima dos 5% projetados pelas próprias montadoras no início do ano, com o mercado caminhando para quase 3 milhões de veículos leves. O crescimento veio, mas não para quem pediu proteção.
A leitura do AutoInforme é direta: incapazes de competir em tecnologia e custo-benefício com os rivais asiáticos, os fabricantes instalados no Brasil recorrem à mudança de regras para preservar margens — enquanto garantem para si mesmos as brechas que tornariam as novas barreiras menos dolorosas. As propostas ainda dependem de mais elaboração e negociações antes de qualquer decisão do governo.
Fontes
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