Brasil vira mercado estratégico da KTM após Bajaj injetar 800 milhões de euros para salvar a marca
Grupo indiano assumiu 75% da fabricante austríaca e elegeu o Brasil, ao lado de México e Filipinas, como prioridade na estratégia global de recuperação.
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O Brasil foi escolhido como um dos três mercados prioritários da nova fase da KTM no mundo. Segundo o Jornal do Carro, a definição foi anunciada durante evento realizado na última segunda-feira (9), quando a Bajaj Auto confirmou que passará a comandar as operações comerciais da KTM e da Husqvarna no país. Ao lado de México e Filipinas, o mercado brasileiro integra o grupo inicial onde a estratégia global de recuperação da fabricante austríaca será colocada em prática.
O Jornal do Carro aponta que a escolha não é por acaso: em pouco mais de três anos de atuação direta no Brasil, a Bajaj acumulou cerca de 60 mil motos vendidas, montou uma rede de 73 concessionárias e ocupa a sexta posição no ranking nacional, com 1,54% de participação de mercado, conforme dados da Fenabrave. A meta agora é chegar a 90 lojas até o fim de 2025, com o portfólio da KTM — especialmente as motos street — ganhando papel central nessa expansão.
Por trás da parceria está um dos resgates mais dramáticos da indústria de duas rodas nos últimos anos. De acordo com o Jornal do Carro, a KTM enfrentou uma tempestade perfeita: o colapso do mercado de bicicletas elétricas no pós-pandemia, a retração das motos esportivas premium na Europa e nos EUA e a alta dos juros globais. Em novembro de 2024, a empresa recorreu à Justiça austríaca em processo de recuperação supervisionada. Os credores aceitaram receber cerca de 30% dos valores devidos, mas ainda era necessário um aporte urgente. A Bajaj organizou então um financiamento de 800 milhões de euros — cerca de 600 milhões destinados ao pagamento dos credores —, transferido um dia antes do prazo final determinado pela Justiça. 'Se o dinheiro não fosse pago, a KTM seria vendida em partes e declarada falida', afirmou Rakesh Sharma, diretor da joint-venture, conforme relatou o Jornal do Carro.
Com a operação aprovada pelos reguladores europeus, a Bajaj passou a deter 75% da KTM. O Jornal do Carro destaca, porém, que a estratégia não prevê uma fusão de identidades: no Brasil, as marcas manterão posicionamentos independentes, compartilhando apenas estruturas de vendas, marketing, logística e pós-venda. 'Não queremos bajajizar a KTM', disse Sharma durante a coletiva.
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