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Fiat Multipla: o carro mais feio do mundo era uma obra-prima de praticidade

Lançada em 1998, a minivan italiana acomodava seis adultos no mesmo comprimento de um hatch compacto.

Atualizada em 26 de outubro de 2026 às 09:09· 9 leituras
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O carro mais feio do mundo era uma obra-prima de praticidade

A Fiat Multipla cabia 6 adultos em apenas 3,99 metros — o mesmo comprimento de um hatch compacto.

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Poucas vezes na história automobilística um carro reuniu tanta genialidade e tanta feiura no mesmo pacote. Segundo a Auto+, a Fiat Multipla, lançada em 1998, é frequentemente apontada como o automóvel mais desprovido de beleza do mundo — e ainda assim representa uma aula de aproveitamento de espaço que poucos modelos conseguiram superar.

O segredo estava no layout inusitado de três bancos por fileira, algo inédito para um carro de passeio. Conforme aponta a Auto+, o assento central dianteiro não era um improvisado banco auxiliar: tinha exatamente as mesmas dimensões dos demais lugares, com cinto embutido no encosto traseiro. Para viabilizar essa configuração, a Fiat deslocou todo o painel verticalmente, herdando a alavanca de freio de estacionamento lateral da van Ducato e posicionando a manopla do câmbio no próprio painel. O resultado eram dois porta-luvas, três saídas de ar-condicionado centrais e um interior que, segundo a publicação, parecia "várias bolhas amontoadas no mesmo lugar" — horroroso, mas inegavelmente funcional.

A Auto+ destaca que toda essa capacidade cabia em apenas 3,99 metros de comprimento — o mesmo de um Fiat Argo atual. Com 1,87 m de largura e entre-eixos de 2,66 m, a Multipla oferecia 430 litros de porta-malas com os seis bancos ocupados e chegava a 1.900 litros com a segunda fileira removida. A plataforma C1, compartilhada com Bravo, Brava, Marea e até o Alfa Romeo 156, garantia robustez mecânica, enquanto o motor 1.6 de 103 cv ou o 1.9 diesel em diferentes estados de afinação completavam um pacote simples e durável.

Mas a praticidade nunca foi suficiente para convencer o público a ignorar o visual. A frente dividida em dois andares, as lanternas em formato de coração e a área envidraçada exagerada afastaram compradores que simplesmente não queriam ser vistos ao volante de algo tão bizarro, como ressalta a Auto+. O conceito já havia sido apresentado no Salão de Paris de 1996 — com rodas que a publicação compara a fatiadores de presunto — e o carro de série não decepcionou quem esperava estranheza. A Multipla ficou para a história como prova de que forma e função raramente andam juntas, e de que o mercado, na maioria das vezes, escolhe a primeira.

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