Toyota quer unir rivais japonesas para barrar avanço chinês com peças compartilhadas
CEO da Toyota propõe padronização de componentes entre montadoras japonesas para cortar custos e competir com fabricantes da China.

A indústria automotiva japonesa estuda uma saída coletiva para enfrentar a crescente pressão das montadoras chinesas: compartilhar componentes entre marcas que, até então, competiam entre si. A Quatro Rodas aponta que a proposta, encabeçada por Koji Sato, CEO da Toyota e presidente da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis, prevê a criação de um "padrão japonês" de peças que não são percebidas pelo consumidor final — como aço, plásticos e chicotes elétricos — para reduzir custos de produção e liberar capital para investimentos em tecnologia.
O contexto que motiva a iniciativa é preocupante para as japonesas. Segundo a Quatro Rodas, as vendas da Toyota na China recuaram 17% no primeiro semestre deste ano, enquanto a Honda registrou queda ainda mais acentuada, de 35%. A publicação também destaca que a China já ultrapassou o Japão como maior exportador mundial de automóveis, e que as marcas chinesas avançam com elétricos de preços competitivos não apenas no mercado doméstico, mas também no Sudeste Asiático e na Austrália.
A Quatro Rodas ressalta que Sato identificou um exemplo concreto do desperdício atual: os fornecedores produzem hoje 70.000 variações diferentes de chicotes elétricos. Reduzir essa fragmentação simplificaria a cadeia produtiva e geraria economia que poderia ser redirecionada a softwares, sistemas de carregamento ultrarrápido e novas opções de propulsão — justamente as áreas em que as chinesas têm avançado com mais velocidade.
O compartilhamento de plataformas e componentes já existe na indústria, como mostra o caso do Grupo Volkswagen com a plataforma MQB, ou parcerias pontuais como a do BMW Z4 com o Toyota Supra e do Fiat 124 Spider com o Mazda MX-5. A diferença, conforme aponta a Quatro Rodas, é que a proposta de Sato ampliaria esse conceito para múltiplas marcas japonesas de forma sistêmica, e não apenas em projetos isolados. Em reunião com fornecedores, o executivo foi direto ao ponto: "Se as coisas não mudarem, não sobreviveremos."
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