VW perdeu a chance de trazer o ID.Polo ao Brasil e agora enfrenta fila de 8 meses na Europa
Executivo da montadora admite que a filial brasileira abriu mão do hatch elétrico há três anos por apostar no etanol — e o modelo virou febre instantânea no Velho Continente.
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A Volkswagen tem exatamente o produto que o mercado brasileiro mais precisa neste momento — um elétrico compacto, atraente e com preço competitivo — mas ele está disponível apenas na Europa. Segundo o Jornal do Carro, um executivo da montadora revelou que, cerca de três anos atrás, quando o ID.Polo ainda estava em desenvolvimento e as divisões regionais podiam manifestar interesse de importação, o Brasil simplesmente deixou a oportunidade escapar. "Estávamos muito focados no etanol", justificou a fonte, acrescentando que ninguém na matriz ou na filial previa que o apetite do consumidor brasileiro por elétricos cresceria tão rapidamente.
O resultado dessa aposta errada ficou evidente logo após o lançamento europeu, em junho. O Jornal do Carro aponta que o ID.Polo acumulou mais de 30 mil encomendas em apenas quatro meses, gerando filas de espera de até oito meses na fábrica de Martorell, na Espanha. Na Alemanha, o hatch parte de 25 mil euros — valor próximo ao do Polo a combustão, que começa em 22 mil euros —, o que torna a paridade de preço entre elétrico e a gasolina o principal argumento de venda do modelo no continente.
Trazer o ID.Polo ao Brasil, contudo, não é tarefa simples. Ainda de acordo com o Jornal do Carro, a alíquota cheia do Imposto de Importação para elétricos, de 35%, somada aos custos logísticos, empurraria o preço final para além dos R$ 200 mil — destruindo justamente o trunfo do carro, que é ser acessível. Mesmo assim, executivos da VW confirmaram à publicação que análises internas estão em curso para avaliar se o modelo poderia ser oferecido no País em uma faixa de preço capaz de rivalizar com concorrentes chineses já estabelecidos por aqui.
Do ponto de vista técnico e de design, o ID.Polo tem argumentos de sobra. O Jornal do Carro destaca que o hatch foi construído sobre a plataforma MEB+, tem 4,05 metros de comprimento, porta-malas de 440 litros e autonomia de até 450 km. O interior conta com botões físicos para funções essenciais — uma resposta direta às críticas aos elétricos modernos — e um modo nostálgico no painel digital que reproduz o visual dos instrumentos dos anos 1980. A brasileira Milene Kazama, designer sênior de materiais do Grupo VW na Alemanha, integrou a equipe da cabine e contou à publicação que a inspiração veio de "um dia de praia na Escandinávia".
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