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Nova CNH já economizou R$ 9,64 bilhões e disparou pedidos em 216% — e as autoescolas ainda dominam o mercado

Desburocratização da habilitação completa oito meses com mais de 2 milhões de novos motoristas, queda de 30% no tempo de processo e um mercado de autoescolas em reorganização, não em colapso

Atualizada em 10 de setembro de 2026 às 17:01· 2 fontes· 20 leituras
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CNH & HABILITAÇÃO

Novas regras da CNH geram economia de R$ 9,64 bilhões

Mudanças de dezembro de 2025 reduziram custos, burocracia e o tempo para tirar a carteira no Brasil.

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As mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que entraram em vigor em dezembro de 2025, já produziram resultados expressivos. Segundo a Autoesporte, o Ministério dos Transportes estima que os brasileiros economizaram R$ 9,64 bilhões até agosto de 2026 — um valor distribuído entre a gratuidade do curso teórico (R$ 2,94 bilhões), a redução nos custos da formação prática (R$ 4,57 bilhões), a renovação automática para bons condutores (R$ 1,44 bilhão), menos deslocamentos (R$ 278,7 milhões) e exames médicos e psicológicos mais baratos (R$ 414,6 milhões).

A Autoesporte aponta que o impacto vai além do bolso: o número de pessoas que concluíram o processo de habilitação cresceu 17,1% na comparação entre os primeiros oito meses de 2025 e de 2026, saltando de 1,71 milhão para mais de 2 milhões de novos motoristas. Os maiores avanços foram registrados em estados do Norte e Nordeste — a Paraíba liderou com alta de 77%, seguida por Sergipe (69,5%), Acre (55,4%), Rio Grande do Norte (55,1%) e Amapá (54%).

O dado mais impactante, porém, está nas solicitações de primeira habilitação. Segundo a Autoesporte, o número de candidatos que pediram a CNH pela primeira vez disparou 216% entre janeiro e agosto de 2026, chegando a 7,3 milhões de pedidos ante 2,3 milhões no mesmo período do ano anterior. Amapá (485,8%), Sergipe (472,5%) e Pernambuco (468%) encabeçam esse ranking, enquanto Santa Catarina, Tocantins e Minas Gerais registraram os menores crescimentos — ainda assim, acima de 114%.

O tempo médio para concluir o processo também encolheu de forma relevante: a Autoesporte informa que o prazo caiu 30%, de aproximadamente 210 dias para 147 dias. O conjunto dos dados sugere que a desburocratização abriu a porta da habilitação para um contingente de brasileiros que antes era barrado, sobretudo, pelo custo e pela demora do processo.

A principal mudança: fim da obrigatoriedade das autoescolas

A Autoesporte esclarece que o motor de toda essa transformação é o fim da obrigatoriedade de frequentar autoescolas. Os cursos teórico e prático passaram a poder ser realizados em instituições credenciadas ou com instrutores autônomos autorizados — cabendo ao instrutor registrar e validar a presença do aluno em cada aula. Quem preferir o modelo tradicional, porém, pode continuar fazendo tudo dentro de uma autoescola, que segue operando normalmente.

No período, a Autoesporte aponta que foram realizados 4,4 milhões de cursos teóricos e formados mais de 2 milhões de novos condutores. Além disso, 1,73 milhão de renovações automáticas foram concedidas a bons condutores — motoristas sem pontos nem infrações registrados nos últimos 12 meses e cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). A medida foi anunciada em janeiro de 2026, mas tem efeito retroativo a 10 de dezembro de 2025, data de publicação da medida provisória original.

Instrutores autônomos ainda são minoria

Apesar da abertura do mercado, a Autoesporte destaca que a esmagadora maioria dos cursos práticos ainda passa pelas autoescolas: 86,8% do total. Os instrutores autônomos respondem por apenas 13,2% — ou cerca de 553 mil dos 4,18 milhões de cursos práticos realizados no período. O Ministério dos Transportes, segundo a publicação, acredita que essa fatia deve crescer com o tempo.

Autoescolas fecham, mas sem falências

Um ponto sensível do novo modelo é o impacto sobre as autoescolas. A Autoesporte informa que, de janeiro a agosto de 2026, foram registrados 478 encerramentos de autoescolas, contra 266 no mesmo período de 2025. O ministro dos Transportes, George Santoro, avalia, porém, que os números apontam para uma reorganização do mercado, não para uma crise — e ressalta que nenhuma escola decretou falência. A redução líquida representa cerca de 2% do estoque total de estabelecimentos.

Menos infrações e teto de preço para exames

Outro indicador positivo levantado pela Autoesporte: a proporção de novos habilitados com registro de infração caiu 77,1%. Para o ministro Santoro, uma das explicações pode estar justamente na liberdade de escolha do instrutor, que tenderia a criar uma relação de maior responsabilidade no aprendizado.

Sobre os custos dos exames de aptidão física, mental e psicológica, a Autoesporte aponta que 24 dos 27 estados já aplicam o teto de R$ 180,00 definido pelo governo federal. Minas Gerais, Mato Grosso e Sergipe ainda cobram valores acima desse limite, por força de decisão judicial.

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