Pneus importados já dominam 70% do mercado de reposição no Brasil
Alta de 58% nas importações entre janeiro e agosto pressiona fábricas nacionais e ameaça 35 mil empregos diretos.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado brasileiro de pneus de reposição passou por uma virada expressiva em 2024. Segundo dados da Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) cruzados com o Comex Stat, sistema oficial do governo federal para estatísticas de comércio exterior, as importações de pneus avançaram 58,3% entre janeiro e agosto, enquanto as vendas das fabricantes instaladas no país para esse mesmo segmento recuaram 13,3%, conforme aponta a AutoInforme. O resultado é que os produtos estrangeiros passaram a responder por 70% do mercado de reposição — fatia que era de apenas 34% em 2019.
Em volume, a AutoInforme detalha que as fabricantes nacionais comercializaram 14,6 milhões de pneus no período, contra 16,9 milhões no ano anterior, ao passo que as importações saltaram de 21,6 milhões para 34,2 milhões de unidades. O segmento de pneus de carga foi o mais afetado: as importações avançaram 116,2% e já representam 72% desse mercado, enquanto as vendas nacionais para reposição caíram 9,8%. Nos pneus de passeio e comerciais leves, os importados cresceram 47,8% e chegaram a 27 milhões de unidades, equivalentes a 69% do mercado, ainda de acordo com a publicação.
A China é a principal origem desse fluxo. Segundo a AutoInforme, o país asiático responde por 81% das importações de pneus de passeio, com aproximadamente 21,8 milhões de unidades embarcadas ao Brasil apenas nos oito primeiros meses do ano. Para a Anip, o avanço estrangeiro coloca em risco a produção, os empregos e os investimentos de um setor que reúne 19 fábricas em sete estados e emprega diretamente cerca de 35 mil pessoas.
Diante do cenário, a entidade defende um conjunto de medidas para reequilibrar a concorrência, conforme relatado pela AutoInforme. Entre as propostas estão o aumento da tarifa de importação dos pneus de passeio de 25% para 35%, a criação de um preço de referência para produtos importados e uma fiscalização mais rigorosa das obrigações ambientais ligadas ao descarte de pneus inservíveis — regras que, segundo a Anip, nem sempre são cumpridas pelos importadores.
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