Singapura cobra até R$ 521,6 mil só para autorizar a compra de um carro
Sistema governamental limita o número de veículos no país e transforma a posse de um automóvel em privilégio de pouquíssimos.
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Comprar um carro em Singapura é uma das experiências mais caras do mundo — e o preço do veículo em si é apenas parte da conta. Segundo o Notícias Automotivas, o país asiático opera um sistema chamado COE (Certificate of Entitlement), uma espécie de licença governamental obrigatória que dá ao cidadão o direito de registrar e circular com um automóvel. Sem esse certificado, simplesmente não há carro.
O valor dessa autorização varia conforme a demanda em leilões periódicos realizados pelo governo, e pode chegar a cifras impressionantes. De acordo com o Notícias Automotivas, o COE para veículos de maior cilindrada já ultrapassou a marca de R$ 521,6 mil — quantia paga antes mesmo de o comprador desembolsar um centavo pelo automóvel em si. O mecanismo foi criado justamente para controlar o tamanho da frota numa ilha com área territorial extremamente limitada e infraestrutura viária saturada.
O resultado prático, conforme aponta o Notícias Automotivas, é que modelos considerados populares em outros mercados se tornam artigos de luxo em Singapura. Um carro que custaria o equivalente a R$ 80 mil no Brasil pode facilmente superar R$ 600 mil quando somados o COE, impostos de importação e taxas de registro locais. A política é deliberada: o governo prefere investir em transporte público de alta qualidade e desestimular o uso do carro particular como solução de mobilidade urbana.
O modelo singapurense é frequentemente citado em debates sobre mobilidade urbana ao redor do mundo como exemplo radical — e eficaz — de controle de frota. Críticos apontam que ele aprofunda desigualdades, reservando o carro apenas a uma elite de altíssima renda. Defensores argumentam que mantém o trânsito fluindo numa das cidades mais densas do planeta. De qualquer forma, o sistema deixa claro que, em Singapura, dirigir é um privilégio caro — e calculado.
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